Quem precisa fazer
A audiometria entra no PCMSO para trabalhadores expostos a níveis de pressão sonora identificados no PGR que justifiquem o acompanhamento. É comum em indústrias, oficinas, marcenarias, gráficas, construção civil, lavanderias industriais, cozinhas de grande porte e áreas com compressores ou geradores.
Quem decide a inclusão é o médico do PCMSO, a partir dos riscos levantados. Por isso, o primeiro passo não é marcar o exame, e sim conferir se o inventário de riscos registra a exposição ao ruído de forma correta.
Em quais momentos o exame é feito
O Anexo II da NR-7 organiza o acompanhamento auditivo em uma sequência:
| Momento | Para que serve |
|---|---|
| Admissão | Registra a audição de referência do trabalhador antes da exposição na empresa |
| Seis meses após a admissão | Mostra se houve alteração precoce no início da exposição |
| Anualmente, a partir daí | Acompanha a evolução ao longo do contrato |
| Demissão | Registra a condição auditiva no encerramento do vínculo |
O médico pode reduzir os intervalos quando houver alterações ou maior suscetibilidade. Exames fora dessa rotina também podem ser solicitados diante de queixas, como zumbido ou sensação de ouvido tampado.
Repouso auditivo: o cuidado que muda o resultado
Depois de um período de ruído intenso, a audição sofre uma redução temporária. Se o exame for feito nessa condição, o resultado pode indicar uma perda que não é permanente. Por isso, a norma pede repouso auditivo de pelo menos 14 horas antes da audiometria.
Na prática, isso significa evitar ambientes ruidosos antes do exame, inclusive fora do trabalho: shows, fones de ouvido em volume alto, oficinas em casa. Para quem trabalha em turno, o agendamento deve considerar o horário de saída do expediente.
Importante: Preparo, disponibilidade e prazos de cada exame são informados no agendamento.
Como é o exame
O trabalhador fica em cabine acústica, com fones, e sinaliza quando ouve sons de diferentes frequências e intensidades. Uma inspeção do conduto auditivo é feita antes, porque excesso de cera pode interferir. O exame é indolor e exige apenas atenção e colaboração.
O que fazer com os resultados
Uma audiometria isolada diz pouco. O valor está na comparação com o exame de referência. Quando surge um desencadeamento ou agravamento sugestivo de perda induzida por ruído, o médico avalia o caso e a empresa precisa revisar as medidas de controle:
- o ruído no posto pode ser reduzido na fonte, com manutenção ou enclausuramento?
- o protetor auricular está adequado, foi bem ajustado e é usado durante toda a exposição?
- o trabalhador recebeu treinamento sobre uso e conservação do protetor?
- o tempo de exposição pode ser reorganizado?
Empresas com vários expostos costumam se beneficiar de um Programa de Conservação Auditiva, que reúne medições, controles, treinamentos e o acompanhamento audiométrico em um só plano.
Erros que comprometem o acompanhamento
- Fazer o exame logo após o expediente, sem repouso auditivo.
- Pular o exame de seis meses após a admissão.
- Arquivar resultados sem compará-los com a audiometria de referência.
- Tratar o protetor auricular como solução única, sem olhar para a fonte do ruído.
Perguntas rápidas
Quem usa protetor auricular precisa fazer audiometria?
Sim, se a exposição ao ruído estiver prevista no PCMSO. O protetor reduz a exposição, mas o exame é justamente o que mostra se a proteção está funcionando.
O trabalhador pode ver o resultado do exame?
Sim. O trabalhador tem direito de conhecer os resultados dos seus exames, e alterações devem ser explicadas pelo médico, com as orientações cabíveis.
Audiometria ocupacional é igual à audiometria clínica?
O exame é semelhante, mas a finalidade muda. A ocupacional segue o PCMSO e compara resultados ao longo do tempo para acompanhar a exposição ao ruído.