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Medicina do Trabalho 3Saúde ocupacional em Goiânia

Controle biológico de quem trabalha com tintas, colas, thinner e solventes

Pintores, trabalhadores de gráficas, fábricas de calçados, móveis e produtos químicos respiram e absorvem pela pele solventes que o organismo transforma em metabólitos. Medir esses metabólitos na urina é uma das formas de o médico do trabalho saber se a exposição está sob controle.

O cenário: solvente que ninguém vê

Diferente do ruído, que todo mundo percebe, o solvente é silencioso. Uma cabine de pintura com exaustão fraca, um balde de cola aberto na bancada ou a limpeza de peças com thinner sem luva são situações comuns em oficinas, marcenarias e indústrias da região. O trabalhador se acostuma com o cheiro e a exposição passa despercebida.

Por isso a NR-7 prevê indicadores biológicos para vários solventes: quando o PGR aponta a exposição, o PCMSO inclui o exame correspondente.

Exames disponíveis e sua relação usual

Exame na urinaRelação usual com a exposição
Orto-cresolTolueno
Ácido hipúricoTolueno, em protocolos que ainda o utilizam a critério médico
Ácido mandélicoEstireno e etilbenzeno
Ácido trans,trans-mucônicoBenzeno (veja também a página de benzeno)
FenolExposição ao fenol, conforme indicação médica
AcetonaExposição à acetona
Metanol e etanolExposição a álcoois, conforme indicação médica
Painel de metabólitosExposição a misturas de solventes

A tabela é orientativa. O indicador oficial de cada agente está no quadro vigente da NR-7, e é o médico do PCMSO quem define o que cada função deve fazer.

Coleta no fim da jornada

A maior parte dos metabólitos de solventes é eliminada rapidamente. Por isso, a coleta costuma ser feita ao final da jornada e, em alguns casos, ao final da semana de trabalho. Se o colaborador fizer a coleta em dia de folga ou no início do turno, o resultado tende a sair baixo e não reflete a exposição real.

Antes de agendar, combinamos com o RH o dia e o horário da coleta de cada turno. Isso evita retrabalho e gasto com exames que não podem ser aproveitados.

Preparo: preparo, disponibilidade e prazos de cada exame são informados no agendamento. Algumas bebidas, alimentos e medicamentos podem interferir no resultado; informe ao médico o que o trabalhador usa.

Erros comuns das empresas

  • Pedir o mesmo exame para todos, sem olhar quais solventes cada setor realmente usa.
  • Não ter a FDS dos produtos, o que impede saber a composição.
  • Fazer o exame uma vez e não repetir na periodicidade definida no PCMSO.
  • Arquivar o resultado alterado sem rever as medidas de controle no ambiente.

Os resultados entram no prontuário do trabalhador e no evento S-2220 do eSocial.

Perguntas frequentes

Exame de urina comum serve?

Não. O monitoramento de solventes pede dosagens específicas de metabólitos, com coleta em frasco e momento adequados.

O que acontece se o resultado vier acima do limite?

O médico do trabalho avalia o caso, pode pedir repetição e orienta medidas, que vão desde ajustes no ambiente até afastamento temporário da exposição, a critério médico.

A empresa usa só um tipo de tinta. Precisa de exame?

Depende da composição do produto e da avaliação de exposição no PGR. Com a FDS em mãos, o médico consegue definir se há indicador biológico aplicável.

Solvente no processo, exame no PCMSO

Envie as FDS dos produtos usados e a lista de funções. Organizamos as coletas por turno.

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