Por que um raio-X "padrão OIT"
Uma radiografia de tórax comum é descrita em texto livre, do jeito de cada médico. Para acompanhar pneumoconioses, isso não basta: é preciso comparar exames ao longo dos anos e entre trabalhadores. A Organização Internacional do Trabalho criou uma classificação que padroniza a técnica e a leitura, com categorias para o tipo, o tamanho e a quantidade de pequenas opacidades, além de alterações na pleura.
A NR-7 tem um anexo dedicado ao controle radiológico e espirométrico da exposição a agentes que causam pneumoconioses. Ele define quem deve fazer o exame, em que momentos e com quais requisitos técnicos.
Quem costuma precisar
| Exposição | Exemplos de atividade |
|---|---|
| Sílica cristalina | Marmorarias, pedreiras, corte e polimento de rochas, jateamento, cerâmica, construção civil |
| Asbesto (amianto) | Manutenção e demolição de estruturas antigas com amianto |
| Outras poeiras minerais | Mineração, fundição, fabricação de vidro e refratários |
A inclusão no programa depende do inventário de riscos do PGR e da decisão do médico do PCMSO, que segue a periodicidade prevista na NR-7 para cada situação.
Como funciona
- Exame: radiografia de tórax em incidência posteroanterior, com técnica que atenda aos requisitos da classificação.
- Leitura: feita por médico qualificado na classificação da OIT, que compara a imagem com as radiografias-padrão.
- Laudo: registro da qualidade técnica da imagem e das categorias encontradas.
- Conduta: o médico do trabalho considera o resultado na conclusão do ASO e nas orientações à empresa.
Em geral, o raio-X caminha junto com a espirometria, que avalia a função pulmonar.
Preparo: preparo, disponibilidade e prazos de cada exame são informados no agendamento. O colaborador retira objetos metálicos do tórax; mulheres grávidas ou com suspeita de gravidez devem avisar antes do exame.
Erros que comprometem o controle
- Fazer radiografia comum, sem leitura OIT, para expostos à sílica.
- Não guardar as imagens e os laudos anteriores, o que impede a comparação.
- Deixar de fazer o exame demissional quando previsto para expostos.
- Tratar alteração no exame como problema só do trabalhador, sem rever o controle de poeira no ambiente.
Achados compatíveis com pneumoconiose podem exigir avaliação sobre emissão de CAT, pelo evento S-2210.
Para o RH: como organizar
Mantenha uma lista dos colaboradores expostos a poeiras minerais, com a data do último raio-X e o setor de trabalho. Encaminhe cada um com a guia indicando o tipo de exame ocupacional e a exposição. Guardar os laudos e as imagens anteriores é essencial, porque a leitura OIT ganha valor justamente na comparação ao longo do tempo.
Perguntas frequentes
Qualquer raio-X de tórax serve para o PCMSO de expostos à sílica?
Não. Para o controle de pneumoconioses, a NR-7 exige técnica e leitura conforme a classificação da OIT.
Precisa de pedido médico?
Sim. O exame é feito conforme o PCMSO da empresa ou mediante pedido do médico do trabalho.
Quem não é mais exposto continua fazendo o exame?
Algumas situações pedem acompanhamento mesmo depois do fim da exposição. A NR-7 e o médico do PCMSO definem esses casos.